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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Um dia da noite


O Sol, já cansado, estica seus dedos
E toca de leve os picos soberbos
Dizendo adeus aos sonhos do dia ...
E nasce a noite, arisca e esguia.

As sombras se agregam e riem da Lua,
Que vendo-se exposta, fraca, e nua,
Se esconde atrás duma nuvem sombria ...
E reina a noite, soberba e fria.

O Sol, já refeito, e pronto pra guerra,
Espia por cima do canto da Terra
Saudando o mundo com voz de alegria ...
E foge a noite, até outro dia ...


• © Paddy Ryan • 24 de setembro de 1988 •

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A chuva

Em cima o cinza esconde o Sol,
Chorando ao vento a sua dor;
E derramado num atol,
O mar suplica por calor.

E a chuva vem…
Não com raiva, nem amor,
Mas como quem
Já é imune a toda dor,
E quer apenas descobrir
(Pra seu prazer)
Se alguém irá se iludir
Com seu poder.

Levemente se apresenta,
Com um ar de insegurança,
E seu choro até sustenta
A ilusão de que é criança.
Mas logo o choro vira pranto,
E a chuva, como um manto,
Cobre a tudo que sorria.
Um raio, tenso, se arrepia,
E fere a Terra orgulhoso,
Enquanto o vento, tenebroso,
Chora e uiva em pavor.

E a escuridão acende a dor…


• © Paddy Ryan • 18 de janeiro de 1990 •

terça-feira, 22 de fevereiro de 2000

Cheiro de medo

O Sol, cansado de nascer
Todo dia, e sempre ver
A mesma coisa, se esconde.
Em algum lugar, não sei onde,
Parece que ouço um berro,
E sinto o cheiro de ferro
Cortando carne, o cheiro
Dum medo louco, altaneiro ...

O Céu, cansado de chorar
O seu desgosto, vai tentar,
Também, se esconder do mundo.
De algum abismo profundo,
Dentre corpos mutilados,
Por séculos conservados
Em sangue, ainda sinto o cheiro
Deste medo louco, altaneiro ...

A Lua, cansada de banhar
Corpos podres com seu brilhar,
Chorando, vai se esconder.
De algum lugar, com vil prazer,
Nadando em sangue (seu e meu),
Querendo o fim (o seu, o meu),
Matando tudo, vem o cheiro
Deste medo louco, altaneiro ...

Por que não posso entender
Este medo? Não quero ter
Que dormir, viver ou sonhar
Com sangue a me atormentar,
Como o orvalho frio,
Como o tenso arrepio
Da morte.

Donde vem este cheiro? Não sei.
Houve um tempo em que pensei
Que soubesse; meu coração,
Uma máquina de solidão,
Criava o medo a meu pedido.
Mas ... meu coração já está perdido
Na morte…


• © Paddy Ryan • 21 de setembro de 1987 •

Lágrimas

Ah, como é gostoso chorar! Quando a angústia tenta acuar, O coração se derrete em lágrimas Rebeldes, insubordinadas, mas legítimas. E é ...